Fotógrafas visitam UniBrasil e debatem função social e mercado da fotografia

Evento reúne alunos dos cursos de Comunicação em comemoração ao Dia Internacional da Fotografia

Por Matheus Ribeiro e Giancarlo Mazza

Foto Maria Coelho

Fotografia e Mercado: À direita Marcia Boroski, no centro Annelize Tozetto e à esquerda Miriane Figueira (Foto: Maria Coelho)

Na última sexta-feira (18/08), o UniBrasil recebeu o debate “Fotografia e Mercado”, em comemoração ao Dia Internacional da Fotografia, dia 19 de agosto. O evento, realizado no auditório Barão do Serro Azul, foi marcado pelo debate com as fotógrafas Annelize Tozetto e Miriane Figueira, teve organização da professora Marcia Boroski e reuniu alunos dos cursos de Jornalismo e Publicidade e Propaganda.

As fotógrafas convidadas apresentaram a trajetória de suas carreiras, bem como os seus trabalhos atuais. Além de apresentar as possibilidades do fotógrafo no mercado, as palestrantes também exibiram a sua importância social. Assim, apresentaram diversos ramos da fotografia e seus trabalhos e projetos individuais. A palestra abrangeu debates sobre fotojornalismo, os direitos autorais da foto, que muitas vezes são ignorados, a fotografia publicitária, a abordagem dos fotografados em relação aos fotógrafos, o uso da fotografia na educação, as questões de perspectiva e técnica, os trabalhos em eventos e a concorrência.

A seguir confira uma breve entrevista com cada uma das palestrantes.

Miriane Figueira

Durante a palestra, você falou sobre como a mulher é vista com desconfiança no mercado da fotografia. Algum caso de machismo já aconteceu com você?

Eu percebo que preciso da avaliação de um homem para que meu trabalho seja reconhecido, se não os homens não vão me legitimar enquanto produtora de conteúdo. O machismo está desde o trato porque, para conseguir alguma coisa os homens ficam flertando com a gente ou fazem piadinhas, então eu tenho que interferir nesse momento. Assim como quando eu vejo um caso de homofobia acontecendo, eu tenho que intervir. Isso não é piada, é ofensivo o machismo está em todos os lugares tanto que eu sou a única mulher na equipe de trabalho quase sempre.

Como foi utilizar a fotografia como ferramenta para educação no projeto “Desapropriam-me de mim”?

Ela pode ser usada para contar diversas visões e perspectivas diferentes sobre uma história contada sempre de maneira única. Eu percebo que o perigo é a história única. O problema não é a forma que você fala, o problema é ter só uma versão. O problema da história que existe é que ela foi contada pela perspectiva do homem branco, então a gente está no momento de reescrever essa história e para isso precisamos formar educadores, entre eles estão os fotógrafos. Porque às vezes nem os educadores sabem do que estão falando. O cabelo das mulheres negras não é visto de maneira aceitável, então temos que reescrever essa história e formar educadores, porque a gente vai ver o reflexo disso entre 20 ou 30 anos.

Annelize Tozetto

Qual foi o impacto das disciplinas de Fotografia e Fotojornalismo, durante a faculdade de Jornalismo, para seguir a carreira de fotógrafa?

O fotojornalismo me formou. Eu aprendi a ver o mundo pela fotografia. O meu TCC foi um livro reportagem sobre moradias de risco em Ponta Grossa e toda a minha visão de mundo surgiu por contado com o Jornalismo. O repórter está lá para contar a história e ele não é isento. A minha fotografia social nunca vai ser isenta, sempre vou tentar balancear os dois lados. Eu posso fotografar uma manifestação apenas a partir da visão dos policiais, mas se eu quero contar uma história eu vou para o outro lado também. E vou saber qual é o impacto,  porque em uma correlação de forças a polícia é muito mais forte que os manifestantes, não podemos dizer que é um confronto por que eles não estão em pé de igualdade.

Quando o repórter quer cobrir alguma manifestação, há alguma desconfiança por parte dos policiais ou dos manifestantes?

Sim. Dos dois lados, sempre tem e sempre vai ter. Os manifestantes desconfiam porque eles não sabem como vai ser retratado e a polícia desconfia porque se você está fotografando e se ele comete algum ato, é a sua foto que vai reportar que ele estava abusando da autoridade, por exemplo.

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